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Entenda os rios voadores e o porquê devemos nos atentar a eles

Por Karin Ricciardi | Arquiteta urbanista

Nós, humanos em geral, temos o péssimo hábito de nos acomodar a determinadas situações e às vezes nem prestamos atenção nos danos que essa prática pode causar.

Um exemplo disso, é a situação da água no Brasil, a maior riqueza natural do país inteiro e os brasileiros a tem tomado como algo certo e imutável, esquecendo-se que a água é parte de um ecossistema que depende de um equilíbrio de componentes. 

Hoje vamos falar dos rios voadores da Amazonia – Flying rivers of Amazon. 

Rios voadores são grandes massas de condensação de água, que ocorrem a partir da evapotranspiração das árvores.

Estes verdadeiros rios voadores são responsáveis por cerca de 15.000km3 de chuva por ano, provenientes das regiões de mata, e fazem o carregamento e distribuição de água para várias áreas do território brasileiro. Serve como base para o potente agronegócio, enchem represas de abastecimento de água e alimentam as usinas hidroelétricas.

Não é preciso ser um especialista e nem fazer uma análise muito pormenorizada para notar que em 90% do globo as regiões intercontinentais tendem a ser desertos quentes e secos, basta olhar Austrália, Ásia e Patagônia. Sem estes rios voadores, o Brasil vai ser da mesma forma. Bem diferente do que é hoje.

Portanto, é necessário que haja um ponto final definitivo nas ocupações de grileiros e fazendas de localizados sobre as florestas, pois este é um atalho para o fim da própria agricultura. O sistema de ocupação de terras vividos nos últimos 70 anos neste país tem que ser reformulado com urgência, pelo bem dos habitantes que aqui vivem. A preservação da floresta é necessária para a saúde econômica do país, pois sem água não temos agronegócio, não temos energia e não temos nem mesmo vida.

Todo ano regiões do tamanho de cidades inteiras são devastadas. O replantio não recompõe a umidade perdida do solo e região, nem o ciclo da água perdido, ou seja, são danos irreparáveis.

Em contrapartida a natureza já começa a dar sinais, visto que em 2011 tivemos índice de desmatamento recorde, e em 2014 várias regiões, principalmente a cidade de São Paulo, ficaram sem água. Abaixo segue atual situação dos mananciais que abastecem São Paulo. Fonte: sabesp.com.br

Essa crise hídrica está, infelizmente, longe de ter um fim. Iniciado em 2013, 2014, 2015 e agora em 2016 ainda não conseguimos normalizar os nossos mananciais. E ainda estamos muito abaixo da média.

É necessário sair da zona de conforto com urgência, pois a situação não está nada confortável. Como já dizia o poeta "uma andorinha só não faz verão, mas pode acordar o bando todo”. Faça a sua parte!

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