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O empresário – A ética como caminho, a mudança como dever

Por Adriana Khouri | Química

Cosméticos e dermocosméticos veganos definitivamente são a nova geração para o cuidado, higiene e beleza do corpo. Na base disso, finalmente, a incorporação da ética como o valor que faltava para orientar uma nova atitude e novos padrões de consumo. Os principais mercados mundiais já se renderam a uma nova realidade que começou silenciosa e discretamente por meio do que concebemos como “alternativo”. Hoje, o alternativo é o novo imperativo. Uma grande indústria de cosméticos europeia estampa em seu catálogo: “o único caminho é a ética”.  E se hoje, no Brasil, estamos conhecendo e trilhando o caminho da ética, do fim dos testes em animais e do uso de insumos de origem animal, não se pode desmerecer o quase invisível, mas presente ativismo que vinha acontecendo e culminou no Caso Royal.

Essa nova e emergente visão da realidade vem obrigando as indústrias a realizar mudanças profundas e readaptar padrões, conceitos, compras, e até mesmo o modo como gerenciar suas equipes, o que hoje é perfeitamente possível diante do leque de alternativas da indústria química, da enorme oferta em biodiversidade e do alto nível tecnológico que alcançamos, tudo isso a preços acessíveis e competitivos. Uma infinidade de avanços no campo da biotecnologia, nanotecnologia e outras áreas de pesquisa e inovação dão suporte ao desenvolvimento de produtos cosméticos com graus de eficiência até mesmo superiores, com maior quantidade nutricional, maior poder de penetração, maior resistência ao estresse ambiental, eliminando a toxicidade de ativos, e gerando resultados muito mais rápidos, já visíveis em poucas aplicações.

Não há, portanto, sentido nenhum em não acompanhar esta evolução. Do campo da ciência para o campo da ética, não há justificativa para o aproveitamento de ingredientes ou subprodutos de origem animal obtidos de práticas cruéis e antiéticas.  Além disso, como empresários éticos e sócio-ambientalmente responsáveis desta indústria, é nosso papel educar o consumidor para um comportamento corresponsável em sua atitude de compra, transmitindo a ele valores como transparência, envolvimento e responsabilidade social, em uma via de mão dupla. Encorajar o consumidor a um novo olhar, mais profundo e mais abrangente, para além de suas necessidades imediatas. Há um mundo em movimento, e neste exato momento, pessoas, animais e suas causas estão pedindo para serem ouvidas e conhecidas. Devemos enxergar isto não apenas como obrigação, mas como um privilégio pela condição de atrair mudanças. Esta e muitas outras condições já estão dadas, resta fazer o que está em nossas mãos e em nossa consciência. Seja como empresa ou apenas como indivíduos.

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