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Para onde vai a água que enxágua sua progressiva?

Por Adriana Leite | Médica Dermatologista e Fundadora

Se sentir atraente é uma necessidade natural do ser humano, já os métodos mais populares para se atingir esse objetivo de “naturais” não têm nada.

Todos os dias somos bombardeados por uma enxurrada de novos produtos com as promessas mais incríveis.  Dia desses me deparei com uma peça publicitária anunciando um procedimento chamado “Botox Capilar”. Assim que o vi me lembrei da “Picanha Detox”. Ambas campanhas que induzem o consumidor ao erro. Botox é o nome comercial de um consagrado medicamento utilizado em várias áreas da medicina e também para finalidade estética, atenuando as linhas de expressão (rugas), ou seja, nenhuma relação com tratamento de cabelos. A "Picanha Detox" acho que não preciso nem explicar.

Não existe “ralo” do ponto de vista do oceano

Outros procedimentos populares para cabelos que podemos mencionar são as tinturas, descolorações, mechas, hidratações, escovas progressivas entre outros. Todos disponíveis no salão mais próximo, ou mesmo no banheiro da sua casa com produtos comprados na perfumaria. Todos com algo em comum: a necessidade de diversos enxágues. Você já parou para pensar na quantidade de água utilizada nesses tratamentos e para onde essa mesma água, agora repleta de substâncias químicas, vai depois? Sim, MUITA ÁGUA contaminada indo diretamente para o RALO e posteriormente para o oceano.

Observe que os sistemas convencionais de esgoto filtram sólidos usando a gravidade, o que torna impossível reter a maioria dessas substâncias. E aí, será que o peixe que chega na sua mesa é seguro para a sua saúde?  

Criar métodos de descarte responsável é uma necessidade urgente

É sintomático e preocupante que a mesma indústria que vende determinados procedimentos como inofensivos, ao mesmo tempo que os proíbe para gestantes e crianças, por exemplo, também não tenha apresentado nenhuma alternativa de descarte responsável dessas substâncias até agora. É urgente a necessidade de criar neutralizantes ou filtros para atenuar o impacto ambiental que esses químicos provocam nos rios, mares e seus habitantes.

O fluxo de produtos químicos dentro de um salão de beleza é enorme. Onde está a “beleza” em poluir e contaminar o planeta sem nenhuma preocupação? 

Mudar esse cenário é responsabilidade de todos

Da grande indústria, aos donos de salão e por fim os consumidores finais, todos somos responsáveis, em maior ou menor grau, pelos danos causados pela falta de atenção sobre esse cenário.

Portanto, queridos leitores, peço que todos nós, juntos, venhamos repensar nossos hábitos de consumo e cobrar das empresas uma postura de maior cuidado com nossa saúde e nosso planeta, afinal, saúde é algo sensível e esse é o único planeta que temos para habitar.

De nada adianta estarmos belos, sem água para beber e solo para criar nossos filhos.

Lutemos por um mundo repleto de beleza em todas as suas formas.

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Adriana Leite é Médica Dermatologista e fundadora do portal cosm-eticos.org


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