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Sobre homens e animais. As empresas e suas escolhas pelo bem

Por Adriana Khouri | Química

Se você procurar uma pessoa que alimente um propósito maior envolvendo a coletividade e o avanço social, paralelamente a uma vida absolutamente normal e previsível, muito provavelmente você a encontrará. Agora, e se essa mesma procura for feita em relação a uma empresa nas mesmas condições? Uma empresa deve gerar empregos, lucro, divisas, crescimento econômico, pagar impostos, funcionários, fornecedores e cumprir o que se conhece por função social, certo? Errado. Estaria certo se estivéssemos falando de empresas de 10 ou 15 anos atrás. Hoje, o conceito de função social mudou, e este propósito maior passou a influenciar as marcas das empresas, estando cada vez mais perto de um protagonismo no mundo corporativo. Em um curto espaço de tempo houve uma profunda transformação no entendimento das empresas sobre o social e na forma como sociedade e negócios se relacionam. Tudo mudando em um ritmo inexplicavelmente rápido. Felizmente. Tanto lá fora quanto aqui. 

Envolver-se em algo maior, causas e metas pelo bem, vem partindo de empresas conectadas aos interesses da sociedade como um todo, não importando o seu tamanho. Isolar-se e não participar de forma ativa ou minimamente atenta aos questionamentos, valores e significados de nosso tempo e espaço será quase que uma sentença de morte às empresas, porque somos todos responsáveis. Já compreendemos que o atual estágio civilizatório ameaça nossa própria sobrevivência, o que vem tornando premente uma mudança de atitude e de comportamento, urgente e radical, em todos os níveis, desde homens e mulheres da sociedade civil, a governos e corporações, pois os caminhos escolhidos até aqui, se não forem reconsiderados, vão nos levar a uma situação irreparável de exploração e abismos. Falo de homens, mas falo também de animais. Animais explorados e mortos da mesma forma que há três ou quatro séculos para “fornecer” matérias-primas de todos os setores e segmentos da indústria na era do pós-modernismo tecnológico. Animais explorados e mortos em tempos de inteligência artificial para servirem à indústria cosmética e farmacêutica a título de uma segurança presumida que não corresponde à realidade dos contextos biológicos humanos. 

Falo de animais e de homens. E agora peço permissão para falar também de mim, com um breve testemunho pessoal sobre a insubstituível experiência de me tornar vegana (depois de quase uma vida no vegetarianismo), e assim poder tornar vegano também aquilo que me acompanha, na medida do possível. Tenho reparado que essa medida atende apenas o desejo verdadeiro de mudar, ao lado do tempo e sua sabedoria. Há 40 anos vi meu pai (um médico que salvava homens e animais) começar uma indústria de cosméticos com seu pioneirismo e talento, criando produtos com os insumos e matérias-primas de que dispunha. Muitos, infelizmente, de origem animal. Nada mais certo que a impermanência. Hoje, como química, e com a tarefa de dar continuidade a um legado e memória de amor pelos animais, nenhum produto é mais fabricado com ingredientes animais ou que tenham sido testados em animais. A empresa readequou-se dentro de um modelo totalmente vegano e sustentável, e busca como parceiros e colaboradores pessoas que compartilhem de uma visão de consumo consciente e de valorização da vida.  

Precisamos usar nossa capacidade de recriar o mundo, de reconstruir as coisas, sempre numa direção melhor. Essa oportunidade nós sempre temos. E assumir a responsabilidade pelas grandes ou pequenas questões relacionadas ao interesse comum e que, em última instância, tocam a vida e sua preservação. Ampliemos a nossa compaixão, e com ela a nossa perspectiva a fim de incluir o bem-estar do mundo em nossa visão de negócios.  

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