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Uma pausa para falar de futebol, tecnologia e crueldade

Por Dra. Fernanda Bayeux | Advogada

Em nossas colunas, tenho tentado, pouco a pouco, apresentar como o direito dos consumidores evoluiu e apresentar o que podemos fazer juntos, do ponto de vista legal e ético, para acabar com os testes em animais. Hoje vou deixar o "juridiquês" de lado, para refletir sobre futebol. Sim, futebol. Sou uma grande amante do futebol, especialmente do futebol europeu e do Atlético de Madrid, esse pequeno time que chegou, pela segunda vez em tão pouco tempo, na final da Champions League.

Repetindo as palavras de um grande amigo meu, “o jogo final foi um roubo descarado”. Se em uma final igualadíssima entre o Atlético de Madrid e o Real Madrid, você dá de presente para o último um gol, e não apita um pênalti, o time beneficiado já tem três quartos da copa ganha. Como torcedora do Atlético de Madrid e fã incondicional do futebol, me pergunto: como pode ser possível oitocentos milhões de pessoas presenciarem esse gol ilegal do Real Madrid, ao vivo, e ainda assim, o futebol seguir sem ter a mais mínima tecnologia para evitar tais erros grosseiros, tais injustiças.

O Real Madrid só tinha marcado dois gols ao Atlético de Madrid nos últimos quatro jogos entre os dois times, o que demonstra a dificuldade que tinham em ultrapassar nossa defesa. O Atlético é um time que se sente confortável com o zero a zero e em jogar contra o nervosismo do rival, mas quando o árbitro é quem te marca um gol... não se pode pedir à uma equipe pequena um esforço inumano para ganhar de um rival que possui um orçamento quatro vezes maior e que, além de tudo, está com o árbitro do seu lado. Sim, o Atlético conseguiu alguns milagres para chegar até a final. O problema é que milagres não acontecem continuamente no futebol, e não são suficientes para te levar até o maior título da Europa.

Então eu me pergunto, como torcedora que sofre e também como cidadã: por que, no futebol, um dos esportes mais incríveis do planeta, não existe interesse em implementar tecnologias, justamente para evitar estas injustiças? Será que é porque a não utilização de tecnologia (e eu digo um mínimo, só para evitar gols roubados e pênaltis injustos) favorece aos próprios dirigentes e chefões do futebol? Aqueles que se beneficiam dos resultados incertos? Os que estão envolvidos nos escândalos da FIFA? Toda essa tristeza dos torcedores do Atlético de Madrid e de cada torcedor que viu seu time ser absurdamente injustiçado poderia ter sido resolvida com a utilização correta e sensata de tecnologia que já existe. 

A resposta, para nós que temos lutado contra a crueldade animal em todos os âmbitos da indústria, parece clara. Não é conveniente, nesse momento, empregar a tecnologia que já possuímos para alcançar bons resultados comerciais, sem a necessidade de injustiças e crueldades. No final, seria mais caro, mais trabalhoso, mais complicado, e estaríamos lutando contra interesses muito mais obscuros e profundos do que imaginamos. O que muitos de nós que nos envolvemos de coração com uma causa já sabemos, é que contra as máfias (e o que vemos no poder são verdadeiras máfias) é muito difícil de lutar. Quase sempre vamos perder ou acabar arrasados em nossos ideais. E nas poucas ocasiões nas quais o lado mais fraco consegue fazer valer os seus direitos, passamos para a história como heróis ou mitos românticos, exceções a uma regra absurdamente injusta.

E o que fazer? Continuar lutando, apesar de tudo? Eu acredito que a resposta é sim, continuar lutando, sempre e apesar de tudo. Porque hoje, uma das tecnologias mais revolucionárias é a Internet. É através dela que a Cosm-Éticos está atuando e traçando suas estratégias. É através da Internet que nossa voz vai chegar em todos os cantos do Brasil e do mundo, para criar questionar e gerar mudança. Um dia essa voz não será mais ignorada. O que aconteceria se os torcedores de futebol parassem de ver os jogos, todos de uma vez, até que regras mais coerentes com os tempos modernos fossem criadas e implementadas? O que aconteceria se cada consumidor deixasse de comprar um produto que tenha sido produzido, em qualquer das suas etapas, com crueldade animal? Deixo essas minhas perguntas no ar, e na próxima coluna, retomamos nossa viagem pela história do direito do consumidor.

Agradecimentos para Felipe Gimeno, meu conselheiro futebolístico.

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