Dermatologia e Ciência

Cosméticos naturais: tendência ou consciência?

Por Dra. Fabia Schalch | Médica Dermatologista

Vivemos em um momento em que os consumidores estão cada vez mais conscientes. Hoje nos preocupamos com alimentação, adquirimos produtos orgânicos, estamos mais atentos com os rótulos dos alimentos que consumimos, aprendemos, por exemplo, os conceitos de light e diet. 

Obviamente, em determinado momento, essa tendência chegou também aos cosméticos, a indústria que mais cresce no mundo, e que tem muito mais impacto do que poderíamos imaginar, tanto na nossa saúde, quanto no ambiente em que vivemos.

O primeiro apelo pelo “livre de“ (free from) surgiu em 2002, relacionado a produtos que não continham fragrâncias sintéticas ou colorantes. Desde então, a lista vem se expandindo, e hoje incluem: óleo mineral, petroquímicos, polietilenoglicol, lauril sulfato de sódio, parabens, ingredientes geneticamente modificados, fatiotas e mais recentemente, o silicone.

Ainda há muita controvérsia sobre os reais danos de cada um desses ingredientes, mas o fato é que os consumidores atentos fazem uma correlação entre “livre de” com produtos puros e saudáveis. Em pesquisa realizada nos EUA, 1 em cada 10 mulheres se influencia na hora da compra pelo rótulo “livre de parabeno".

A indústria vem percebendo esse apelo dos consumidores e busca de adequar a essa nova demanda. Tarefa nem sempre fácil, pois encontrar novos ingredientes com as mesmas propriedades e segurança também leva tempo e anos de pesquisa.

Por outro lado, inúmeros químicos, farmacêuticos e cientistas atestam que há muito barulho por nada. Relatam que ainda temos poucas pesquisas para banirmos ingredientes que já são utilizados por tanto tempo, e que novos ingredientes têm sido utilizados para repor os antigos, apenas por apelo de marketing, sem ainda o devido respaldo científico que comprove eficácia e segurança. Dizem ainda que devemos ter muito cuidado comas noções de “produto natural”, já que nem todo produto natural apresenta perfil de segurança.

Conceitos que precisamos saber

Para os consumidores conscientes e para aqueles que estão se interessando pelo assunto, devemos ter bem claro algumas noções, para não sermos apenas vítimas do marketing.

Tudo o que é natural é bom? Todo sintético é ruim?

De acordo com o Instituto Biodinâmico (IBD) e com o Ecocert, os cosméticos naturais devem possuir matérias-primas naturais e não podem conter substâncias como: corante, fragrâncias e conservantes sintéticos, amônia, silicone, dietanolaminas, derivados do petróleo, geneticamente modificadas e testadas em animais.

Esses dois órgãos citados emitem selos aos produtos aprovados, auxiliando o consumidor na hora da compra. Entretanto, se o cosmético conter um desses ingredientes proibidos acima, o produto será categorizado como a base de produtos naturais.

Já os cosméticos orgânicos são aqueles constituídos por matérias-primas orgânicas (total de 95%). Essas são naturais e baseadas nos métodos do sistema orgânico de produção, que procuram aperfeiçoar o uso de recursos naturais e socioeconômicos.

Em resumo: nem todo cosmético natural é orgânico, mas todo orgânico é natural. E nem todo produto a base de produtos naturais é natural.

E quanto aos sintéticos? Todo sintético faz mal? Só o que é natural faz bem?

Obviamente que não. Sabemos que muitos produtos oriundos da natureza podem também nos causar danos e serem tóxicos. E os sintéticos, se não causarem nenhum dano ao ser humano e à natureza, não podem ser considerados vilões. 

Nesse sentido, cresce o numero do conceito de química verde, com a síntese de ingredientes muito semelhantes aos da natureza, sendo seguros e não nocivos a nós e ao meio ambiente.

Diante de tantos novos conceitos que surgem, nós da Cosm-Éticos temos como papel principal a conscientização de consumidores e prescritos, sempre com informações científicas e não tendenciosas, para que cada pessoa possa fazer melhores escolhas que atendam seus valores e ideologias.


Mais Notícias:

Todas as formas de vida têm o mesmo valor

Dermatologia e Ciência

Movimento II - Os 6 níveis de desenvolvimento da humanidade

Dermatologia e Ciência

O cosmético que você usa pode fazer sua unha pegar fogo

Dermatologia e Ciência

Desafio: desenvolver meu primeiro perfume 100% sintético

Dermatologia e Ciência

Parabenóia: esse medo tem fundamento?

Dermatologia e Ciência

Legislação Brasileira sobre o uso de Animais Vivos no Ensino - Onde Estamos e Como Podemos Avançar?

Dermatologia e Ciência