Dermatologia e Ciência

Existem evidências de que pesquisas e testes em animais beneficiam os seres humanos?

Por Bruno Zylbergeld (Convidado) | Biólogo

A grande maioria dos pesquisadores assim como o público em geral normalmente consideram inegável que as pesquisas em modelos animais contribuíram para o desenvolvimento de novas terapias para o tratamento de doenças, mas existem pouquíssimas evidências que suportam esse ponto de vista.

Existem atualmente um pequeno e limitado grupo de metodologias capazes de avaliar a relevância clínica ou a importância do uso de modelos animais em pesquisas, e desta forma mantendo incerto qual seria a contribuição desses testes para do desenvolvimento clínico científico.

  Evidências empíricas ou apelos não consolidados são normalmente utilizados como justificativas, como por exemplo, a certeza de que a necessidade da pesquisa animal seria “auto evidente” ou de que a experimentação animal é um método de pesquisa que se provou valioso por si só ao longo do tempo”, tais certezas são consideradas formas inadequadas de justificativas além de poder prejudicar indiretamente a interpretação dos resultados obtidos e prejudicar diretamente o desempenho do desenvolvimento científico. Não existe embasamento teórico ou prático para excluir ou consolidar o resultado obtido através de um teste animal, ou seja, não podemos afirmar que o resultado observado em um modelo animal será o mesmo resultado obtido em um modelo de testes clínicos em humanos, por sinal, não é raro os resultados serem completamente paradoxais.

  Será que é possível avaliar, por exemplo, o resultado de uma pesquisa envolvendo o metabolismo digestivo de um roedor que tem o trato digestivo adaptado para o processamento de grãos e extrapolar esse resultado para o sistema digestivo e metabólico do ser humano que sabidamente é onívoro? Ou avaliar os marcadores de estresse ou qualidade do sono em camundongos que desde de seu nascimento vivem em um ambiente hostil e são submetidos diversas vezes à procedimentos extremamente estressantes, como gavagem, sangrias, exaustão física ou constantes volemias. Seria o resultado desses experimentos realmente válidos?

  Outra consequência preocupante, que sabidamente ocorre, é a mudança do rumo de uma pesquisa ou o engavetamento dessa pesquisa devido resultados não esperados obtidos através da experimentação animal, pois não se pode afirmar com certeza, se o mesmo procedimento aplicado a uma cobaia animal, resultaria em respostas semelhantes quando essa mesma metodologia for aplicada a uma cobaia humana.

  Uma nova droga para ser aceita no mercado global deve passar por várias etapas, entre essas etapas estão alguns testes clínicos que obrigatoriamente devem ser conduzidos em humanos. Já que essas etapas são obrigatórias e indispensáveis, seria realmente necessário expor esses animais a tais sofrimentos?

  Sabemos que em períodos de guerras ou epidemias a ciência se desenvolve a passos largos, isso ocorre devido a necessidade eminente para o desenvolvimento de novos procedimentos médicos ou novas drogas e onde a fase de estudo em modelos animal é totalmente ignorada, pois os resultados demoram a serem interpretados e existe a real necessidade de respostas rápidas e consistentes, desta forma os testes são realizados diretamente em humanos, afinal o que não faltam nesses períodos tenebrosos são cobaias humanas resultando em um avanço exponencial do conhecimento científico.

  Não podemos descartar também aqueles pacientes com doenças incuráveis ou prognósticos terminais que morrem lutando para que sejam alvos de pesquisas clínicas de novas drogas ou procedimentos, mas não obtêm sucesso devido aos comitês “éticos” vinculados aos centros de pesquisas. Para esses comitês não é ético utilizar cobaias humanas, já maltratar animais indefesos em busca de resultados questionáveis e duvidosos é admissível, moral e “ético”.

  O desenvolvimento científico atual permite que testemos diretamente em células específicas humanas (in cito) cultivadas em laboratórios de culturas celulares, o efeito dos mais diferenciados tipos de drogas, alimentos ou terapias sem a necessidade de um organismo complexo, descartando o modelo animal e acelerando o processo para os testes clínicos em humanos.

  Vale ressaltar que o problema não é somente metodológico e científico, em muitas universidades ou centros de pesquisa espalhados pelo mundo, não existe um controle extremamente restrito de seus biotérios, não referente ao número de animais estocados, mas sim, ao número de animais que serão utilizados por pesquisas. Não raramente esse número é superestimado e muitos animais são sacrificados sem sequer terem sido utilizados, ato no mínimo criminoso.

  Finalmente deixo a seguinte reflexão: Quem determinou que o homem é mais evoluído que as outras espécies animais? Se somos mais evoluídos, não seria nossa total responsabilidade cuidar de nosso legado animal, de onde viemos e evoluímos? Seria aceitável que, na existência de uma espécie alienígena mais evoluída que a raça humana, nós humanos sejamos utilizados de cobaias para o desenvolvimento das pesquisas em prol do desenvolvimento de uma espécie superior?

  As respostas a essas indagações estão escritas no egocentrismo e prepotência intrínseca do homem. Não existe uma raça ou espécie escolhida como pensa a humanidade e sim uma harmonia mágica entre os seres vivos que já há muito tempo fora desfigurada por nós.

  “O homem é o único animal que pensa que pensa”.

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